A “Bossa Negra” de Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda

A casa estava lotada e as pessoas muito alegres. E nesse clima de final de semana em plena quinta-feira pairou sobre o Tom Jazz na noite de estreia do projeto “Bossa Negra”, de Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda, uma energia diferente. Um show para guardar na memória afetiva, porque é nela que residem as lembranças carregadas de sentimentos. Quem, minutos antes do início do show, havia entrado na casa com uma nítida tensão no rosto, provavelmente causada pelo pós-expediente de trabalho, já era outra pessoa. Não porque o show foi daqueles de cantar alto ou dançar, de extravasar. Não, não. Possivelmente porque a dupla Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda funciona tão bem, e porque ambos agiram como se estivessem a sós e sem compromisso algum, que fez toda a diferença em um ambiente intimista, de luz baixa, como é o Tom Jazz. Quem frequenta a casa já espera algo assim, é claro, mas mesmo para os “da casa” havia algo diferente… Emocionante! Diogo Nogueira abriu o show com “Minha Missão”. O ritmo lento, quase reflexivo, deixou a plateia em suspense, duvidosa talvez sobre qual seria o resultado dessa parceria, que já funcionou no DVD “Sou Eu” do Diogo Nogueira, o ao vivo, lançado em 2010. O que Hamilton de Holanda fez com o bandolim foi de provocar lágrimas no cantinho do olho. O violoncelo de André Vasconcellos tão incomum em uma roda de samba deu um brilho todo especial ao espetáculo informal. Na bateria, Thiago da Serrinha. A segunda canção magicamente apresentada pelos músicos, “Deixa”, de Vinícius de Moraes, mostrou que “Bossa Negra” não é mesmo um projeto qualquer.

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“Bossa Negra” é o que os artistas chamam de fusão dos universos em que ambos transitam. No caso, o do samba, do choro e do Jazz. O show , mais instrumental do que cantado, continuou em sua estreia com “Vatapá”, de Dorival Caymmi. O repertório reúne clássicos da música brasileira e Diogo Nogueira convidou a plateia a participar com palmas. Esta, respondeu prontamente e no compasso certo. Foram ovacionados no final. E cantando junto a plateia continuou em “Desde que o Samba é Samba”, originalmente escrita por Paulo Lins, mas gravada por Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil e tantos outros. Cena emocionante!

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Detalhe nítido, e por isso muito bonito, Diogo Nogueira deu espaço para todos os músicos brilharem! O tanto que o cantor carioca cantou foi ínfimo comparado ao espaço de Hamilton de Holanda, que brilhou indescritivelmente. “Que estreia maravilhosa! Começamos hoje esse projeto. Ninguém está gravando não, né?”, brincou Hamilton de Holanda. Sim! Tudo! O tudo que promete percorrer algumas cidades do Brasil enchendo de prazer quem gosta desse tipo de samba apaziguador de emoções. Que cala pensamentos e dá aconchego. Foi assim o tempo todo, juntos, Hamilton brilhando mais que Diogo e Diogo na sala de casa de tão despretensioso. Por isso, brilhante!

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